O Novo Mundo: Como nos preparar?


Muitas mudanças têm sido vistas na economia e mesmo no mundo. No entanto, pouco são ainda aqueles que parecem entender o que está acontecendo. Fato que a maioria das pessoas ainda está um tanto ou quanto perdida no que diz respeito a entender o que, DE FATO, está acontecendo com o mundo: por que é que as coisas mudaram tanto? E, aliás, mudaram como?

A primeira coisa que temos que entender é que o mundo que vimos no século 20 mudou de vez. Começamos as duas primeiras décadas desse século 21 ainda com alguns resquícios do século passado. Agora, porém, a mudança veio para ficar: o antigo mundo está acabando e, se queremos não ser esmagados pelas mudanças, precisamos entendê-las.

No setor cultural e do entretenimento, a mudança é bem clara. Não que ela não ocorra em outros setores também, mas é nesse setor onde a mudança é bem evidente e explícita. E um dos aspectos que mais mudou nesse "novo mundo" é a relação com os consumidores. Antigamente, era a oferta que controlava o espetáculo -- com ou sem trocadilhos. Agora, cada vez mais, a inovação e a criação ocorrem em uma relação muito mais estreita entre empresas, artistas e consumidores. Hoje em dia, a inovação deixa de ser feita simplesmente por pequenos escritórios fechados dentro das empresas: ela é feita em uma relação muito mais estreita com o público consumidor.

Essa mudança tem afetado enormemente toda a estrutura de nossa sociedade: cada vez mais, a sociedade se organiza para que toda pessoa deixe de ser um ser passivo diante do que é imposto por uma grande mídia e passa a ser incluído, através das novas tecnologias (internet, redes sociais, ...), em redes de inovação cada vez mais e mais sofisticadas.

Para o artista, isso impõe que ele abandone aquela ideia romântica, do "criador isolado", do gênio artístico que cria em seu cantinho fechado, para se colocar como alguém que, constantemente, saiba se relacionar com o seu público e com o mundo empresarial e econômico. Agora, saber se relacionar, especialmente com esse "novo mundo", com essa rede de cooperação e inovação, é algo essencial para o sucesso artístico de quem quer que seja. Não dá mais para se isolar e achar que uma grande empresa "cuide do business". O que se requer agora é uma postura muito mais ativa e protagonista nesse tipo de trabalho.

Não que o velho mundo tenha "acabado": pelo contrário, ele começa a ser reunido e resumido em um grande poder central, hegemônico, que terá um papel bastante relevante ainda no mundo. Mas isso é assunto para outro contexto: da parte dos artistas e produtores culturais que estão se vendo diante dessas mudanças, o desafio, agora, é entender toda essa sofisticada e intrincada rede de inovação, cooperação e relacionamentos que dará base às indústrias culturais.

Que saibamos nos preparar para esse "novo mundo". Tal qual esfinge, ele já está nos dizendo: "Decifra-me ou te devoro!".


Escrito por Carlos Vilela

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