Spotify é a nova Rádio ?

Como isso impacta o mercado da música eletrônica e festivais.

Serviços de Streaming como Spotify, Apple Music, Deezer e outros estão no mercado para ficar. Nos últimos dois anos esse formato de distribuição musical afetou a indústria como nunca antes. Nós, jovens, nos acostumamos rapidamente a usar esses serviços, principalmente pela qualidade e acessibilidade. Afinal é muito mais fácil através de uma assinatura, você ter acesso no celular ou no computador a música original do artista que você quer ouvir, do que buscar na internet e ter que avaliar se aquela é mesmo a música ou é remix, se é a música nova ou antiga. A rapidez e eficácia chamaram atenção.

As playlist viraram um diferencial, música para cada momento do dia, cada humor, enfatizando ainda mais a mania que temos de ouvir música à todo momento. Para o ponto de vista da indústria musical isso foi perfeito, pois o consumo de música aumenta, mas o público fica mais seletivo.

Hoje em dia através das distribuidoras, gravadoras independentes, é mais viável que o artistas possam colocar suas músicas nos serviços de streaming e lojas virtuais. Sem contar com o avanço na área de produção musical permitindo cada vez mais a redução do custo da produção de música em geral, mas principalmente de música eletrônica. Ou seja, as opções de música para os fãs tem crescido exponencialmente e a conseqüência é obvia, se tem base de fã, tem relevância para o festival.

O line up vem se diversificando e isso tem confundido muita gente que não participa do público jovem e ativo dos festivais e serviços de streaming. O que claramente aconteceu com o repórter do G1 quando comentou o fato do Chainsmokers ter supostamente roubado o público do Metallica. Não fica claro qual foi o raciocínio para essa conclusão, quando o público do festival claramente é jovem e acompanha essa era do Streaming. E quem acompanha os charts das músicas mais ouvidas pode ver que o Chainsmokers tem se mantido nos últimos dois anos entre as 50 músicas mais ouvidas. Sendo ainda mais evidente no Spotify, o fato de São Paulo se manter entre as 5 cidades que mais ouvem esse duo de música eletrônica. Todos na indústria da música sabemos que não existe "roubo" de fãs, se o fã de um artista em um festival não for assisti-lo e assistir a outro, ele não se encaixa na condição de fã e sim na de público.

Outra coisa que tem acontecido, é que muitas vezes as pessoas se tornam fãs do festival e não necessariamente de cada artista no line up. O que faz com que muitos artistas tenham oportunidade de tocarem para um público superior a sua base de fãs e possivelmente conquistar mais público ou fãs para si mesmo. Porque eu tenho batido muitas vezes em cima de público e fã? Porque essa diferença é crucial. O fã do artista é muito mais do que fã da música, é do artista completo. E isso dentro das redes sociais e para indústria é o que determina grandes investimentos e resultados. Público não é fã!

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